por que estas – e não outras – palavras servem-se de mim
sou banquete de mensagens estranhas
alheias à minha alma
o que estou escrevendo agora
nada tem em comum
com meus atos
(após o almoço, ainda de camisola, acabei de mandar as crianças para a escola)
mas os dedos obedecem a uma ordem
que de dentro para fora expele impulsos nervosos sobre o teclado
letras, espaços, deletes
releituras rápidas da última frase
pensamento avante no tempo e espaço
um ou outro retoque estilístico
para... qual finalidade?
um poema para ser atirado num blog qualquer
onde (será?) algum estranho lerá sem entender
quem era, o que era, desejos?
eu não sei quem você é, caro leitor
ao menos se soubesse quem eu sou
se a figura de camisola verde-pistache
ou a fúria do dragão
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