Laboratorio da Escrita

Conversas sobre literatura, regras e jogos

a vida
: como a teia
que a aranha
v.i.v.a.m.e.n.t.e
l.e.v.e.m.e.n.t.e
l.e.n.t.a.m.e.n.t.e
h.a.b.i.l.m.e.n.t.e
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s.i.m.p.l.e.s.m.e.n.t.e
p.a.c.i.e.n.t.e.m.e.n.t.e
c.o.n.s.c.i.e.n.t.e.m.e.n.t.e
c.a.p.r.i.c.h.o.s.a.m.e.n.t.e

tece feito de um nada que se faz tudo abrigo e subsistência arte e poesia imagem e palavra que o vento ou mãos alheias podem dispersar

mas que i.n.d.e.l.e.v.e.l.m.e.n.t.e deixa suas marcas onde só o Tempo absoluto alcança

(texto baseado no conceito de Leveza de Italo Calvino)

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Silvia R. Cabrera Comentário de Silvia R. Cabrera em 8 maio 2008 às 16:06
FEITO DE NADA

a
vida
uma teia
de aranha
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tece feito de um nada que se faz tudo abrigo e subsistência arte e poesia imagem e palavra que o vento ou mãos alheias podem dispersar

mas que i.n.d.e.l.e.v.e.l.m.e.n.t.e deixa suas marcas onde só o Tempo absoluto alcança
Silvia R. Cabrera Comentário de Silvia R. Cabrera em 8 maio 2008 às 16:05
Por motivos + que alheios me afastei da elaboração desse tecido-textual, e esse afastamento agora me traz um olhar bem "de fora", já deslocado das emoções iniciais do trabalho quentinho. Embalada pela voz macia do Léo Jaime, no Myspace, vou relendo os posts anteriores e vendo os acertos e falhas, de coração mais leve. Já consigo ver esse trabalho como uma coisa distinta de mim.
O título me agrada muito §Feito de Nada§ poderia ser até título de um livro, quem sabe?, já que é uma bela síntese da matéria da poesia.
Das versões, a que mais me satisfez, até o momento, é a de 25/04, pareceu-me ter o tamanho ideal para o texto não ficar cansativo. Afinal, quero a brevidade e concisão do poema para falar sobre a teia/vida - não escrever uma epopéia...
Os dois maxi-versos finais eu os prefiro, enfim, separados, e não como no "enjambement" que forcei nas últimas tentativas.
E, sinceramente, a idéia de "partir da solidão para chegar à consciência" me parece um percurso interior genial.
Portanto, considero que a partir da versão de 25/04 eu deva reiniciar minha rota, agora que a mesma está devidamente corrigida - afinal perder-se no mundo das idéias e palavras é mais fácil do que tecer uma teia!
Silvia R. Cabrera Comentário de Silvia R. Cabrera em 28 abril 2008 às 15:57
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uma teia
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c.l.a.r.a.m.e.n.t.e
d.i.v.i.n.a.m.e.n.t.e
p.r.e.c.i.s.a.m.e.n.t.e
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m.u.l.t.i.p.l.a.m.e.n.t.e
t.r.a.n.q.ü.i.l.a.m.e.n.t.e
c.o.n.s.c.i.e.n.t.e.m.e.n.t.e
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tece feito de um nada que se faz tudo abrigo e subsistência arte e poesia imagem e palavra que o vento ou mãos alheias podem dispersar mas que i.n.d.e.l.e.v.e.l.m.e.n.t.e deixa suas marcas onde só o Tempo absoluto alcança
Silvia R. Cabrera Comentário de Silvia R. Cabrera em 28 abril 2008 às 15:53
Ao sabor dos ventos das idéias, minha teia ainda balança frouxa. Como se não bastasse, agora minha cabeça se ocupa das últimas discussões sobre Loucura (fruto da última aula), e fico dividida entre dois pólos muito distintos. Mas que fazer, o processo de criação é demais imbricado com a vida, portanto preciso conciliar tantos conflitos. E definitivamente percebi que ainda falta ousadia no projeto, mesmo sendo algo leve, ainda precisa de algo que demonstre "o peso dessa leveza". E também a composição gráfica sofre os reveses da falta de opções de formatação que este espaço oferece. Não tenho variedade de fontes nem de diagramação, por exemplo...
Mas o trabalho continua, enfim...
Silvia R. Cabrera Comentário de Silvia R. Cabrera em 27 abril 2008 às 14:55
FEITO DE NADA

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tece feito de um nada que se faz tudo abrigo e subsistência arte e poesia imagem e palavra que o vento ou mãos alheias podem dispersar mas que i.n.d.e.l.e.v.e.l.m.e.n.t.e deixa suas marcas onde só o Tempo absoluto alcança
Silvia R. Cabrera Comentário de Silvia R. Cabrera em 27 abril 2008 às 14:51
Não é fácil chegar a uma solução, quando conscientemente decidimos deixar o óbvio de lado. O que parecia bem simples, agora vai ficando intrincado. Sinto-me realmente uma mosca presa na teia que eu mesma comecei a tecer. Estou trabalhando dois níveis ao mesmo tempo - o desenho gráfico e o texto - quando acerto um, desando o outro. Depois que analisei a primeira correção de texto, decidi-me a fazer uma "cascata de palavras" - e no caso dos advérbios, eles devem ser originados por adjetivos com um número de letras crescente - o primeiro com 2 (só - somente), depois com 3 (uno - unamente) assim sendo até chegar no último: conscientemente. Portanto, parto da solidão para chegar na consciência. A escolha dos adjetivos está bastante penosa, já que o critério de número de letras me tolhe de muitas palavras com significados fantásticos dentro do contexto, mas que não podem ser utilizadas. Não posso me afastar da Leveza, mas preciso definir a imagem com Exatidão. Talvez sacrifique a Rapidez, pois as palavras separadas por pontos exigem uma leitura lenta. Mas a parte do arranjo gráfico na página garante a Visibilidade do texto, reforçando a sugestão mental do texto. Multiplicidade se faz presente na cascata de idéias bastante abrangentes sobre o trabalho de tecer da aranha. E, ao conseguir algum dia harmonizar todas as virtudes, quiçá chegue então na Consistência...
Silvia R. Cabrera Comentário de Silvia R. Cabrera em 26 abril 2008 às 9:38
FEITO DE NADA

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mas que i.n.d.e.l.e.v.e.l.m.e.n.t.e deixa suas marcas onde só o Tempo absoluto alcança
Silvia R. Cabrera Comentário de Silvia R. Cabrera em 26 abril 2008 às 9:26
A construção de um texto 3

Neste trabalho de Penélope (tecer e destecer a trama da escritura) a terceira versão parece-me já apresentar uma identidade visual mais harmônica, e a mancha do texto já toma ares de caligrama. a versão 2 deixou claras as "falhas espaciais", que aos poucos serão corrigidas. já me decidi a fazer um "desenho" com as palavras, mas ainda faltam alguns acertos - de vocabulário e estilísticos - para me dar por satisfeita. ainda preciso fazer alguns experimentos para obter maior clareza sobre as idéias que me assaltam. os 10% de inspiração (ou a versão 1) foram até fáceis, o problema agora são os 90% de transpiração para fazer dessa pedra bruta um texto memorável e único.
Silvia R. Cabrera Comentário de Silvia R. Cabrera em 25 abril 2008 às 8:58
FEITO DE NADA

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vida
uma teia
de aranha
s.o.m.e.n.t.e
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d.i.v.i.n.a.m.e.n.t.e
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p.a.c.i.e.n.t.e.m.e.n.t.e
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mas que i.n.d.e.l.e.v.e.l.m.e.n.t.e deixa suas marcas onde só o Tempo absoluto alcança
Silvia R. Cabrera Comentário de Silvia R. Cabrera em 25 abril 2008 às 8:52
A construção de um texto 2

Aqui eu já diria desconstrução, pois da idéia original nascida em 22 de abril, fiz algumas subtrações. Meu intuito será sempre o de escrever, deixar amadurecer por pelo menos 1 dia antes de comentar e refazer.
Depois da primeira reavaliada, a mancha do texto na página não me pareceu muito harmônica, contrariando o desejo de Leveza pareceu-me um tanto poluída. Foi quando decidi cortar alguns dos advérbios, montando uma "cascata" de palavras. E procurei manter os vocábulos que me passassem a maior diafanidade possível. Ainda não sei se o resultado me satisfaz, mas já agradou mais do que a primeira versão.

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